O livro é a mais difundida ferramenta, possivelmente a melhor, de transmissão de conhecimento. A soma de todos os livros já escritos corresponde à soma de todos os conhecimentos já produzidos pela humanidade. Quanto mais livros produzir e ler um povo, maior será o conhecimento acumulado deste povo, seja como agente passivo, o leitor, seja como agente ativo, o escritor. Maior também será o seu grau de desenvolvimento e, provavelmente, de prosperidade econômica e social.
Quer dizer que aquele montinho de papel cortado em páginas é tão importante assim? Não, o livro não está preso ao formato. Ele já foi popular em tábuas de pedra, pergaminhos, papéis enrolados, escritos à mão, e, agora, ganhou diversas versões digitais, sem deixar de ter o mesmo nome e importância: livro.
E por que um livro, e não uma revista, um jornal, um escrito qualquer? Porque somente o livro conta histórias e reproduz conhecimento (seja técnico ou esteja contido ou subentendido nas próprias histórias ficcionais e reais) com a pretensão de explorar temas em profundidade a partir de uma lógica particular, do autor.
E todo o livro é bom? Não, nem deve pretender sê-lo. Livros que se dizem bons ("a verdade está aqui") pretendem limitar o conhecimento, e não o ampliar. A diversidade de livros é que é boa, pois expressa lógicas diversas, contrapostas ou complementares, que hão de gerar novos livros, novos conhecimentos.
O nome disso é bibliodiversidade, própria de sociedades que usufruem de ampla liberdade de expressão e de debate. Corolários da bibliodiversidade são a liberdade para escrever, publicar e comercializar livros, no que toca aos autores, e a liberdade para acessar a mais ampla gama possível de conteúdos escritos, no que toca aos leitores.
Outra questão fundamental diz respeito ao acesso ao conteúdo produzido em todos os lugares, e, na contramão complementar indispensável, a difusão para o mundo dos conteúdos produzidos localmente, que refletem as histórias e conhecimentos locais. Na Bahia, estamos carentes da primeira parte, e praticamente excluídos da segunda parte deste enunciado. A Bahia pouco ou nada contribui para a bibliodiversidade, seja como agente passivo, leitor, seja como agente ativo, pois até se escreve, mas quase nada se publica, e o que se publica não tem mercado, salvo por...
Gente como Marcel Santos e Agenor Gasparetto, os editores da Via Litterarum. Além deles, mais meia dúzia de quase heróis, entre os 14 milhões de habitantes da Bahia, trabalha para reverter esta miserável realidade. Eu, Aurélio Schommer, escritor, Presidente da Câmara Bahiana do Livro, sei do tamanho do desafio que é implantar a bibliodiversidade em nossas terras. Missão quase impossível, mas que será cada vez menos impossível na medida do trabalho de editores como Marcel e Agenor.
A Via Litterarum é a maior editora baiana privada em número de títulos, e a que mais revela novos autores baianos. Que esteja abrindo este portal, este site, é notícia por demais alvissareira e preciosa, pois representa uma fonte de água limpa e farta no deserto de livros que é hoje a terra de Gregório de Matos, de Castro Alves, de Dias Gomes, de Jorge Amado. Assim, nossos melhores votos de sucesso a este portal. Que ele venha representar, cada vez mais, o despertar da Bahia para a bibliodiversidade.
O livro, de papel ou digital, continua sendo a maior e melhor fonte de conhecimento. Melhor até que a educação, que limita a investigação do conhecimento ao conteúdo das grades curriculares. E, através deste portal que nasce, o livro renasce, escrito, publicado e espalhado para toda a rede mundial de computadores.
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