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A Via Litterarum nasceu visando contribuir para a expressão do talento literário de sua terra, a Bahia, especialmente, a região grapiúna. Nosso propósito é conjugar os esforços com as editoras públicas e privadas existentes ou que vierem existir. Pretendemos que nenhum talento se perca nas gavetas ou não se realize por falta de oportunidades. Envidaremos esforços para que o talento encontre seu destino, o reconhecimento público, decorrente da leitura, do maior número possível. Pretendemos boa leitura para cada vez mais e melhores leitores. Esse é também o espírito do concurso literário Bahia de Todas as Letras, co-realizado com a coirmã Editus, da Universidade Estadual de Santa Cruz-UESC.

Reconhecemos que os primeiros anos foram muito difíceis e que ainda está difícil. Somos aprendizes de um aprendizado bastante doloroso. Contudo, o projeto segue seu curso, lenta e gradualmente. Nessa ainda breve trajetória ouvimos palavras de alento e outras, de esmorecimento. Tivemos mãos amigas que nos auxiliaram, que nos ajudaram a nos manter animados. Não faltou quem vislumbrasse o fracasso nessa nossa jornada. Raríssimos. Não faltou quem nos chamasse de loucos, literalmente loucos, apenas alguns, é verdade. E não faltou quem nos alcunhou, para nossa honra, de quixotes, de sonhadores. Tomando de empréstimo o grande poeta português Fernando Pessoa, em Cancioneiro (Martim Claret, 2008):

Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e vida,

...

Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmares de sonho ou não
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri.

Somos mas não queremos perder contato com o chão, o chão desta terra.

O fato é que, através da literatura, estamos ajudando a construir a identidade de nossa terra. Acreditamos que a identidade tem na cultura lugar privilegiado. Ler e escrever se inscrevem nesse processo. Temos a intuição de que alguma coisa estamos fazendo nessa direção. E temos a clara consciência que o que fazemos reveste-se de relevância para o presente e para o futuro. Seguramente, é pouco e se situa num âmbito restrito da vida, o fazer literário. Uma pequena semente, acreditamos, mas que pode se tornar uma grande árvore.

 
     
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